
O Senado promoveu sessão especial nesta quarta (12) para comemorar os 100 anos da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn Nacional) . Além de homenagens à entidade, houve um debate sobre a valorização da categoria — com temas como piso salarial, jornada de trabalho e políticas públicas.
A Associação Brasileira de Enfermagem foi criada por docentes e estudantes da Escola de Enfermagem Anna Nery no dia 12 de agosto de 1926.
A sessão especial aconteceu a pedido de Augusta Brito (PT-CE), que exerceu o mandato de senadora até o início deste ano — ela é suplente de Camilo Santana (PT-CE). A cerimônia foi conduzida pelo senador Paulo Paim (PT-RS).
Paim leu o pronunciamento da senadora Teresa Leitão (PT-PE) em que ela enfatiza a atuação da ABEn para o fortalecimento das políticas públicas e ressalta a abrangência da atuação da enfermagem em todo o país.
— Onde há cuidado em saúde, há enfermagem: nos grandes centros urbanos, nas periferias, nas comunidades rurais, nas terras indígenas e onde estão os quilombolas — disse Paim ao ler o discurso de Teresa.
A senadora Zenaide Maia (PSD-RN), que também participou da homenagem, apontou a relevância da enfermagem ao longo da vida das pessoas.
— A enfermagem é uma das poucas profissões no mundo que está presente na hora de nascer das nossas crianças até o óbito das pessoas — observou ela.
A presidente da Aben, Jacinta de Fátima Senna da Silva, recordou a mobilização da associação pela regulamentação da carreira de enfermagem e frisou que a representatividade da entidade existe em todo o país. Ela também apontou a necessidade da participação dos jovens.
— Como principal agenda, hoje penso na mobilização da juventude: do ensino técnico à graduação, para a participação política e uma prática social cidadã — declarou Jacinta.
Representante do Fórum Nacional da Enfermagem, Jorge Henrique de Souza e Silva Filho destacou a atuação da ABEn na luta contra a ditadura militar e para redemocratização do país. Ele afirmou que a associação também colaborou para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), além de ter se oposto às reformas trabalhista e da previdência.
A importância da entidade também foi reiterada pela senadora Roberta Acioly (Republicanos-RR).
— Ao longo de um século, a ABEn ajudou a construir e fortalecer a enfermagem brasileira, contribuindo para a formação profissional [da categoria], para a ciência e para a saúde pública e, principalmente, para a valorização de uma categoria que está presente em todos os momentos da vida das pessoas — salientou ela.
Representante do Conselho Federal de Enfermagem, Helen Márcia Perez citou os desafios da carreira e defendeu a implementação de políticas públicas que valorizem a profissão.
— A conquista do piso salarial representou um marco histórico [o piso salarial nacional foi instituído em 2022], mas ainda temos desafios importantes pela frente, como a regulamentação de uma jornada compatível com a responsabilidade. A complexidade e a intensidade do trabalho continua sendo uma pauta fundamental.
Segundo Helen, "poucas políticas públicas chegam efetivamente à população sem passar, em algum momento, pelas mãos da enfermagem".
— Por isso, valorizar a enfermagem não pode ser apenas um reconhecimento simbólico; precisa se traduzir em políticas públicas, condições adequadas de exercício profissional e formação de qualidade.
O evento também contou com a participação da representante do Comitê de Técnicas e Técnicos de Enfermagem, Dart Clair Carvalho Cerqueira, e da representante da Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem, Julia Nascimento Sant’Anna.
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