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Universidade do Mar se torna realidade no Rio de Janeiro

Hangar Náutico da UFRJ, na Ilha do Fundão, sediará o empreendimento

09/04/2026 às 16h22
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
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© Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Movimento Baía Viva, o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nides/UFRJ) e a Petrobras apresentarão, na próxima sexta-feira (17), as ações do novo Centro de Formação em Economia do Mar Baía de Guanabara, com sede no Hangar Náutico da UFRJ, na Ilha do Fundão.

O novo centro de formação capacitará moradores dos arredores da Baía de Guanabara e das cidades de Itaboraí, Magé, Maricá, São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias e Guapimirim.

Projeto dos fundadores do Movimento Baía Viva, desde sua criação, em 1984, o centro de formação representa a transformação em realidade do sonho de o país ter uma Universidade do Mar.

O Centro de Formação em Economia do Mar funcionará como um espaço público destinado à capacitação prioritária de pessoas oriundas de grupos sociais em situação de vulnerabilidades socioeconômicas e socioambientais e de comunidades tradicionais, como pescadores, povos indígenas e quilombos, nas áreas da Economia Solidária, Economia do Mar e Sustentabilidade.

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O ecologista Sérgio Ricardo Lima, co-fundador do Movimento Baía Viva, e coordenador do centro de formação, lembra que o movimento pela Universidade do Mar ganhou força a partir de 2018, ao iniciar uma coalizão.

“Nós conseguimos 104 cartas de apoio institucional de todas as reitorias do Rio de Janeiro”, disse à Agência Brasil.

Os apoios vieram da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que é uma instituição científica, e de dezenas de pesquisadores de vários grupos multidisciplinares de saúde, geologia, antropologia, ciências ambientais, biologia, associações de pescadores, colônias de pesca.

Com a retomada do edital socioambiental da Petrobras, o Movimento Baía Viva foi selecionado na linha de desenvolvimento econômico sustentável.

Hangar

O projeto de instalação do Centro de Formação em Economia do Mar Baía de Guanabara prevê obras no Hangar Náutico da UFRJ durante este primeiro semestre e a oferta gratuita de cursos e oficinas de extensão e formação nas áreas de inovação social e tecnológica até 2028.

“O hangar terá alojamento para 30 pessoas oriundas de outros municípios ou estados que venham estudar aqui e ficarão ali alojadas. Lá tem refeitório, cozinha, três salas grandes, onde cabem 40 alunos cada”, disse Ricardo Lima.

Ele informou que daqui a quatro, cinco meses, o hangar ter capacidade para receber 120 alunos por turno.

Até 2028, serão dados dez cursos e oficinas de capacitação.

Os cursos terão certificado da UFRJ e serão válidos em todo o país.

Entre os cursos e oficinas previstos nos próximos três anos destaque para o de Aprendiz da Carpintaria Naval Artesanal, ministrado por professores-pesquisadores da UFRJ e por artesãos mestres na arte de carpintaria e marcenaria naval, destinados às comunidades pesqueiras da Baía de Guanabara.

O objetivo é promover a formação de pescadores e pescadoras artesanais para que possam reaprender a construir e reformar embarcações de pesca, ofício tradicional na pesca artesanal que atualmente é de conhecimento de apenas poucos mestres carpinteiros.

Mapeamento

O coordenador do Centro de Formação em Economia do Mar explicou que professores e pesquisadores das instituições parceiras farão um diagnóstico dos sete municípios que serão atendidos pelo projeto, com a característica de que o mapeamento preliminar será efetuado por bolsistas de diversas áreas que serão contratados.

“É o que se chama de diagnóstico participativo. Nós vamos mapear as políticas públicas no campo da economia do mar, economia solidária, bioeconomia, tudo que já é executado pelo governo federal, pelo estado, nesses sete municípios da baía. Serão mapeadas também as iniciativas e projetos feitos pela sociedade civil”.

Nos projetos estão o observatório do Canal do Cunha, vinculado à Fiocruz, e o observatório que funciona em São Gonçalo, vinculado à Geografia da UFF.

A estruturação do Centro de Formação em Economia do Mar e a realização das formações objetiva têm como objetivo especial fortalecer iniciativas que contribuam para melhorar as condições de vida e a renda familiar das comunidades desses sete municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e fomentar a criação de um Arranjo Produtivo Local Sustentável (APLS) na Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara.

“Nossa ideia é mostrar que é possível, com apoio das políticas públicas e trabalhando com a academia, com as organizações da sociedade civil, ter estratégias para aumento de renda”, disse.

Estão previstas ainda oficinas de Agroecologia e Sistemas Agroalimentares (Meliponicultura, Viveiristas, Quintais Produtivos) para fortalecer a segurança alimentar e geração de renda junto às comunidades tradicionais e agricultores familiares de base agroecológica; Turismo de Base Comunitária (TBC) voltado para pescadores/as, artesãos e empreendedores do entorno da Área de Proteção Ambiental (APA) Federal de Guapimirim e da Estação Ecológica da Guanabara (ESEC Guanabara); Empreendedorismo Solidário Sustentável (Economia Solidária); Extensão Pesqueira e Inclusão Socioprodutiva (Boas Práticas e Beneficiamento Artesanal do Pescado); Tecnologias Sociais para Mulheres Pescadoras; Ensino Profissional Marítimo (EPM) ministrado por instrutores da Capitania dos Portos (Marinha do Brasil); Mecânica de Motor de Barco e de Operador de Drones.

Informações sobre os cursos e oficinas estão no site CFEcoMarBG e em sua rede social.

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