
Durante a cerimônia de abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada nesta segunda-feira (10) em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso enfático em defesa do enfrentamento à crise climática e criticou o negacionismo científico.
“A mudança do clima não é uma ameaça do futuro, é uma tragédia do presente. É hora de impor uma nova derrota aos negacionistas”, afirmou o presidente.
Lula destacou que a conferência sediada na Amazônia será “a COP da verdade”, em contraponto à desinformação e ao avanço do obscurantismo. Segundo ele, a era digital tem sido usada por grupos que “controlam algoritmos, semeiam ódio e espalham medo”, atacando instituições, a ciência e as universidades.
O chefe do Executivo brasileiro também ressaltou que, sem o Acordo de Paris, o planeta poderia enfrentar um aquecimento catastrófico de até cinco graus até o final do século. No entanto, alertou que o ritmo atual das ações ainda é insuficiente para conter o aumento da temperatura global em até 1,5°C — limite considerado seguro pelos cientistas.
“Estamos na direção certa, mas na velocidade errada. Romper essa barreira é um risco que não podemos correr”, advertiu Lula.
Chamado à Ação e governança global
Em seu discurso, o presidente apresentou o Chamado à Ação, documento dividido em três eixos principais. O primeiro é o cumprimento dos compromissos climáticos assumidos pelos países, como as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que definem metas de redução de emissões. O segundo é a aceleração das políticas de adaptação e mitigação, colocando as pessoas no centro das decisões.
Lula defendeu ainda uma governança climática internacional mais robusta, com a criação de um Conselho do Clima vinculado à Assembleia Geral da ONU. Segundo ele, a proposta daria ao tema “a estatura política que o desafio merece”.
Financiamento climático
O presidente voltou a cobrar a efetivação dos mecanismos de financiamento para apoiar países em desenvolvimento na transição energética e em medidas de adaptação. Ele lembrou que, para cumprir as metas do Acordo de Paris, é necessário mobilizar cerca de US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.
“Se os homens que fazem guerra estivessem aqui, perceberiam que é muito mais barato investir US$ 1,3 trilhão para salvar vidas do que gastar US$ 2,7 trilhões em guerras, como fizeram no ano passado”, afirmou Lula.
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