
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) criticou, em pronunciamento na quarta-feira (28), a decisão da União Europeia (UE) de adiar para 2025 a obrigatoriedade de agricultores preservarem 4% da vegetação nativa de suas terras, além de flexibilizar esse determinação, dispensando os produtores que se comprometerem a destinar ao menos 7% de área para cultivos que fixem nitrogênio na terra. Em contrapartida, o parlamentar ressaltou que os agricultores da Amazônia são obrigados a preservar ou fazer reserva legal de 80% de sua área.
— Como a hipocrisia é alguma coisa que a gente não pode compreender com essa turma. Não querem cumprir 4%, mas exigem que os brasileiros reservem 80% para a preservação ambiental. Esse Parlamento Europeu, que adia a obrigatoriedade de 4% para a preservação ambiental, é o mesmo que, em abril de 2023, aprovou nova regulamentação, cobrando do Brasil a comprovação de que nossos produtos, por eles importados, não teriam gerado desmatamento. Dessa forma, nosso gado, madeira, cacau, café, borracha, óleo de palma, soja, e assim por diante, precisam comprovar a sua origem.
Para o senador, a decisão do Parlamento Europeu é um mecanismo de protecionismo comercial que deveria ser impedido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Zequinha destacou projeto de sua autoria que cria a reciprocidade ambiental, instituindo a Política Nacional sobre Mudança do Clima para tornar obrigatório o cumprimento de padrões ambientais compatíveis aos do Brasil para a disponibilização de bens no mercado do país ( PL 2.088/2023 ).
— Em suma, aquilo que foi exigido pela Europa para adquirir produtos brasileiros também será exigido quando o Brasil comprar produtos europeus. Isso é nada mais, nada menos do que aquilo que chamamos de reciprocidade ambiental. O Brasil é um país soberano que não deve se submeter a regras impostas por países que usam a preocupação com a sustentabilidade para acobertar mecanismo de protecionismo comercial.
Senado Federal Davi lamenta morte de Oscar Schmidt, ‘ícone do basquete brasileiro’
Senado Federal Girão defende reação do Senado contra atos do STF
Senado Federal Sugestão legislativa para permitir uso e cultivo pessoal de maconha é rejeitada